Cada vez mais urgente a luta em defesa da Universidade e contra o Future-se: veja como foram as mobilizações dos últimos dois dias

As 48h em defesa da Educação Pública contra os cortes e o Future-se contou com paralisações, atos, passeatas e outras manifestações em diversas partes do país, reunindo trabalhadores da Educação, estudantes, pais, movimentos sociais e demais atores políticos.

Em São Luís, após Assembleia da Apruma e reuniões entre docentes e estudantes, deliberou-se por realizar uma Plenária Estudantil sobre o Future-se no dia 2 de outubro e, no dia seguinte, de um ato pela imediata convocação, por parte da Reitora, de Sessão do Conselho Universitário para deliberar sobre o assunto, apontando para o referendo da posição já expressa em dois terços dos campi da Universidade contra o Future-se (Imperatriz, São Luís, São Bernardo, Chapadinha, Bacabal e Balsas, faltando apenas Pinheiro, Codó e Grajaú avaliarem o assunto – na quase totalidade dos que avaliaram, a rejeição foi por unanimidade).

A Reitoria está convocada a chamar a Sessão por mais de 40 conselheiros que, seguindo o Regimento da UFMA, protocolaram pedido de convocação do CONSUN em número de membros superior ao exigido regimentalmente.

A convocação da Sessão é privativa da presidente do Conselho, que deve, seguindo o Regimento, acatar a autoconvocação feita por dezenas de conselheiros. Entretanto, a Administração Superior vem protelando o assunto, já tendo recuado por diversas vezes de chamar o CONSUN.

O ato deste dia 3 teve como mote a reafirmação da posição contrária à proposta e a reivindicação de que a Reitoria cumpra o que determina o Regimento da Universidade. Ao menos 27 das 68 universidades federais já tiveram sessões de seus Conselhos rejeitando o programa, considerado retrocesso e ameaça à Educação, como expressa a nota da Universidade Federal de Santa Maria, emitida por seu Conselho no último dia 2, rejeitando o Future-se: “Considerando que a proposta compromete garantias constitucionais como a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial;”, entre outros aspectos (confira AQUI e, ao final desta matéria a lista das Universidades que rejeitaram a proposta).

PORQUE É URGENTE POSIÇÃO OFICIAL DA UNIVERSIDADE

Durante o ato deste dia 3, após os docentes e discentes se dirigiram do Cento Paulo Freire à Sede da Reitoria no Campus do Bacanga declarando “Ô REITORIA, NÃO ABRO MÃO: CHAMA O CONSUN PRA DEFENDER A EDUCAÇÃO”; ao chegar lá, diversas falas apontaram a gravidade da situação ante os recuos da Administração Superior.

A professora Ilse Gomes destacou que, enquanto a UFMA segue em inacreditável compasso de espera, o governo federal já montou grupo de trabalho para dar andamento o quanto antes à proposta do programa para que ela seja enviada ao Congresso, numa demonstração de pressa pelo lado de quem ataca a Universidade e de hesitação por parte de quem deveria defendê-la.

Nesse cenário, quanto mais se espera, mais em risco fica a Educação Pública, com a imposição de um programa que se diz de adesão voluntária mas que pode se impor com o estrangulamento das atividades de universidades e institutos que não aderirem, num risco ainda maior à autonomia e à própria existência destas instituições, que devem reafirmar a obrigatoriedade do financiamento da Educação Pública pelo Estado – o que passa pela rejeição de um projeto que visa a desobrigá-lo desse dever constitucional.

Os presentes demonstraram ainda plena consciência dos riscos do Future-se, o que reafirma a necessidade de sua imediata rejeição.

Para a professora Marise Marçalina, a proposta ataca pilares da Educação, apontando para o abandono da extensão. A professora Cacilda Cavalcante também criticou a natureza da proposta, que fere a concepção essencialmente pública do setor. Os estudantes também falaram com propriedade. Rommell Botafogo, do curso de História, diante de docentes e estudantes universitários e secundaristas, ressaltou a necessidade dessa união na resistência contra essa ameaça, que ataca não apenas quem já está na Universidade, mas quem pretende nela adentrar futuramente, o que foi reafirmado nas declarações dos estudantes secundaristas do Colégio Universitário presentes ao ato.

Atos das 48h pela Educação apontam para o aprofundamento da resistência contra o Future-se – dentro e fora da UFMA

As atividades desta semana, após os atos nos campi, nas plenárias e nas reuniões de centros e departamentos da Universidade e que se debruçaram sobre o assunto, constituem mais um (e importante) passo na reafirmação da resistência ao Future-se, independe de quem venha a ocupar os principais postos na Administração Superior da UFMA.

Ficou demarcado que a comunidade universitária não vai aceitar o vacilo em pautar o assunto com a urgência que ele exige, atentando também ao fato de que guardará para que a posição tomada referende o que já foi amplamente apontado por seus membros.

Também ficou indicado pelos presentes que eles continuarão com atividades que chamem ainda mais outros, tanto dentro como fora da Universidade, para aumentar a resistência e fazer a defesa da Educação Pública, e para exigir a reposição integral do orçamento e afastar de vez a ameaça do Future-se, reafirmando o financiamento público do setor, como previsto na Constituição Federal.

Também ficou indicado que essa jornada não para por aí. Como a reitora não estava presente, estudantes prometeram voltar já nesta próxima semana para cobrar a convocação do Conselho Universitário. Os professores também estão avaliando os próximos passos, com a consciência da necessidade de atuação conjunta entre técnicos, docentes, estudantes e sociedade em geral para defender esse patrimônio da coletividade.

Nesse sentido, a direção da Apruma deve se reunir nos próximos dias para avaliar os desdobramentos destas atividades e planejar as próximas ações, que devem seguir até a convocação do CONSUN.

Desde já, estão mantidas as ações de resistência que já vem sendo empreendidas e que dependem também do envolvimento de todos, na coleta de assinaturas do abaixo-assinado a ser levado ao CONSUN expondo a necessidade de rejeição da proposta do Future-se e a ampla distribuição de material informativo (que pode ser adquirido na Sede da Apruma) sobre o tema.

Baixe o documento do abaixo-assinado no link a seguir, colete assinaturas e participe da Resistência ao Future-se:

Confira imagens das atividades, matérias veiculadas na imprensa sobre as atividades desta quinta-feira na UFMA, e a lista de universidades que corajosamente já se pronunciaram contra o Future-se:

MATÉRIA TV MIRANTE (GLOBO): AQUI

MATÉRIA TV CIDADE (RECORD):

ATO EM DEFESA DA EDUCAÇÃO (3 DE OUTUBRO NO CAMPUS DO BACANGA):

 

PLENÁRIA ESTUDANTIL (DIA 2), ÁGORA DO CCET, BACANGA:

 

UNIVERSIDADES CUJOS CONSELHOS JÁ REJEITARAM O FUTURE-SE (ATUALIZADO ATÉ 2 DE OUTUBRO):

Universidade de Brasília (UnB)

Universidade Federal de Goiás (UFG)

Universidade Federal do Cariri (UFCA)

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Universidade Federal do Ceará (UFC)

Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)

Universidade Federal de Roraima (UFRR)

Universidade Federal do Amapá (Unifap)

Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)

Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Universidade Federal do ABC (Ufabc)

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Universidade Federal Fluminense (UFF)

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Universidade Federal de Santa Catarina  (UFSC)

Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Universidade Federal do Rio Grande (Furg)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Universidade Federal do Pará (UFPA)

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)