Comunidades protestam contra o que consideram abuso de poder de autoridades no município de Arari/MA

Acontece na tarde desta segunda-feira, 16, a partir das 14h, no Auditório do Sindicato dos Bancários (rua do Sol, Centro de São Luís), o “Julgamento Popular das Autoridades Públicas de Arari”.

A iniciativa do movimento Fóruns e Redes de Cidadania visa a expor a criminalização de lutadores sociais e de comunidades tradicionais e o que consideram de conluio entre autoridades na defesa do latifúndio, que tem gerado prisões de lideranças na cidade: primeiramente, cinco deles ficaram mais de setenta dias presos, e agora, na última sexta-feira, dia 13 de setembro, mais quatro lideranças também foram parar na prisão.

“As comunidades que vivem na região da Área de Preservação Ambiental, instituída por lei, têm resistido bastante, muito embora a crescente intimidação, ameaças e criminalização das suas representações e lideranças por parte dos agentes públicos que, agindo em defesa do latifúndio, abrem procedimentos, instauram processos e decretam prisões”, denuncia o Fóruns e Redes. Entre as acusações, alegações de participar de organização criminosa “especializada em causar danos (derrubada das cercas nos campos) e não aguardar as decisões judiciais”.

“Como sempre ocorre nesse assunto, o poder judiciário, juntamente com os seus auxiliares – ministério público e forças de segurança, agem sempre em conjunto para proteger e garantir o latifúndio, dando nenhuma importância ao crime de grilagem de terras públicas, ao contrário do que faz, quando se trata de coibir, reprimir e criminalizar as ações das comunidades, agindo com uma celeridade ímpar”, denunciam representantes do movimento.

Julgamento Popular

O movimento chama, então, para a denúncia coletiva da situação. “Como forma de confrontar essa concepção de fazer justiça, dia 16/09, os Fóruns e Redes de Cidadania, as comunidades de Arari e de mais 15 municípios do Maranhão, estarão realizando um julgamento público das práticas administrativas perpetradas pelas autoridades – juiz de direito, promotor de justiça e delegado de polícia, no trato cotidiano e rotineiro, quando o assunto é o direito de lavradores, pescadores, quebradeiras de coco, marisqueiras, vaqueiros, comunitários em geral, bem como das suas representações e lideranças”.

A mobilização começou ainda na manhã desta segunda-feira, com marcha do movimento pelo Centro de São Luís, e, durante a tarde, acontece o julgamento das ações perpetradas pelo poder público.