Marielle Franco: há um ano somos sementes. Ato nesta quinta-feira na Praça Nauro Machado em São Luís

Quiseram nos enterrar, mas não sabiam que somos sementes“. Esse é um ditado muito marcante nas lutas camponesas, indígenas e quilombolas, e expressa a memória de quem tomba na luta, que é mantida pelos que ficam: o sangue que rega a terra, em vez de expressar derrota, é honrado e fortalece a busca por justiça.

Na luta da periferia, há um ano era brutalmente plantada a semente de Marielle Franco, assassinada junto com o motorista Anderson Gomes, de forma covarde, na cidade do Rio de Janeiro.

Esta semana, soubemos que quem estava no carro de onde foram efetuados os disparos mora a poucos metros de Jair Bolsonaro, num condomínio de luxo, cercado de ostentação, além de dispor de um arsenal impressionante que deixa no chinelo qualquer apreensão de armas feita em favela sob a humilhação dos moradores.

Mas não é apenas o fato de serem vizinhos o que impressiona e instiga nesse enredo. Como esquecer que um dos possíveis envolvidos teve mãe e esposa abrigadas no gabinete de um dos filhos de Bolsonaro? Que esses envolvidos puderam ter acesso a informação privilegiada, de dentro do aparato policial do Estado, que lhes permitiram estar a um passo dos investigadores por tanto tempo? Como esquecer que um dia após a prisão dos possíveis executores o investigador responsável foi anunciado afastado do caso pelo governador do Rio de Janeiro, ele próprio um dos que tripudiaram sobre a memória de Marielle Franco durante um comício eleitoral no Rio de Janeiro? Ou esquecer os afagos presidenciais à cultura do ódio e violência, um estímulo à barbárie e também às milícias, essa mesma cultura responsável, nesta quarta-feira, 14, por mais uma tragédia dolorida em uma escola brasileira?

Não dá para esquecer, ainda, a indústria de fakenews movimentada pela extrema direita com vistas não apenas a eleger seu representante, mas, no caso de Marielle Franco, para tentar diminuir a sua importância, e fazer pouco caso de seu assassinato brutal desde o começo, quando corriam nas redes as mentiras sobre seu envolvimento inexistente com traficantes cariocas. Os defensores dos que hoje se acham donos do poder, na ânsia de diminuir o ocorrido, enumeram crimes que teriam igual importância, como se fosse possível comparar assassinatos, ou se fosse possível deixar de lado a dimensão política do ocorrido – como no caso da juíza Patrícia Acioli, cuja atuação contra milicianos fez dela vítima que, logo após morta, foi alvo de chacota da tropa presidencial na Internet em razão dessa atuação.

É tanto para ser lembrado, contado, cobrado, que faltam palavras. Hoje, a pergunta mais importante é: quem mandou matar?. Isso porque a versão de que seria apenas um crime de ódio (não que isso seja pouca coisa) não explica. Um crime de encomenda. Marielle foi morta por execução política.  Milicianos não são movidos apenas por gosto ou desgosto, mas pelo que podem receber em troca do que oferecem. Não é o puro ódio que faz com que eles possam desfrutar de casas em condomínio de luxo, carros blindados, e todo tipo de ostentação. Isso é fruto de serviço prestado, e o Brasil precisa saber quem pagou por esse crime.

Também a memória do que representa Marielle Franco, que lutou por justiça contra o povo pobre e oprimido das favelas, não pode ser esquecida. Essa semente já germinou e não pode mais ser cortada. Rendeu milhões de frutos. Somos sementes. Sementes de resistência contra o estado de coisas que hoje tenta se abater sobre a sociedade e contra a qual resistiremos, na luta por direitos, justiça. reparação e igualdade. Marielle vive.

Nesta quinta-feira, 1 ano de assassinato de Marielle e Anderson, todos e todas estão convidados/as para o Ato público a partir das 18h na Praça Nauro Machado, Centro de São Luís, a exemplo das atividades que estão acontecendo em todo o país. Compareça!