Semana tem violentos despejos no campo no Maranhão

Em São Luís, comunidade do Cajueiro, na Zona Rural II, volta a ter derrubada de casa e outras estão sob ameaça após decisão de reintegração de posse, da desembargadora Nelma Sarney, em favor da WPR/WTorre, que pretende construir um porto no local acirrando conflitos; na cidade de Pindaré Mirim, polícia destaca cem homens para despejo de assentamento em favor do empresário João Claudino, do Armazém Paraíba.

Na mesma semana em que o governador assinou decreto dando mais tranquilidade aos docentes da rede estadual para exercerem suas atividades sem ameaças, por outro lado, o aparato policial foi disponibilizado para cumprir despejos violentos no campo maranhense.

Na segunda-feira, mais uma casa foi derrubada no Cajueiro, depois que a desembargadora Nelma Sarney concedeu reintegração de posse à empresa WPR, ordenando que a ação, ao ser cumprida, pudesse contar com força policial, que esteve no local para garantir a expulsão, seguindo uma decisão em favor da empresa que, por sua vez, não tem prova cabal de propriedade da área, já que a comunidade detém título de posse coletiva emitido pelo próprio Estado.

Desde 2014, várias foram as ações de derrubada de casas no local, e os moradores estão receosos de que novas derrubadas sejam ordenadas, como já anunciado por representantes da empresa.

A violação de diretos na região atinge mesmo grupos de pesquisa da Universidade Federal do Maranhão, que já foram alvo de ameaças, como o GEDMMA (Grupo de Estudos: desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente). Em 2017, panfletos apócrifos chegaram a ser distribuídos nas dependências da Universidade ameaçando professores e estudantes.

A WPR chegou no local colocando milícias armadas para intimidar moradores. Ainda ano passado, um casal de idosos que vive na região há quase 40 anos foi alvo de intimidação, com pessoas ameaçando-os à porta de sua casa para forçá-los a sair do local. No último final de semana, depois de tantas ameaças, a companheira de uma vida inteira do “Seu Joca” faleceu. Sua saúde fragilizou-se muito durante esse violento processo.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que esteve recentemente no Brasil, foi informada dos atentados cometidos na região, e chegou a declarar que o Brasil vive um forte retrocesso em relação ao tema.

Pindaré

No dia seguinte, na terça-feira, 13, foi a vez de violento despejo do assentamento Novo Pindaré, na cidade de Pindaré Mirim, que deixou camponeses feridos. Cerca de cem homens da Polícia Militar do estado cumpriram a determinação em favor do empresário que é acusado de grilagem de terras no Piauí.

O quadro faz parte do acirramento de conflitos que vem se desenhando, e ao qual é necessário resistir em unidade, denunciando e agindo coletivamente, junto com sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores do campo e da cidade. Nesse contexto, é necessário seguir atentos para que possamos responder em conjunto a esses ataques, denunciando e construindo a resistência na defesa dos direitos sociais, da livre atividade docente, do respeito à dignidade humana. Somente agindo em conjunto será possível, efetivamente, resistirmos ante aos retrocessos.