Movimentos sociais, estudantes, trabalhadores, grupos de pesquisa e outras instituições se solidarizam com professor Marcus Baccega

Além da Nota de Esclarecimento divulgada nesta quinta-feira, na qual diversas instituições – entre elas a APRUMA – expressaram apoio ao professor Marcus Baccega em razão das calúnias que lhe foram imputadas pelo blogueiro conservador Diego Emir e divulgadas posteriormente em outros meios de informação, várias entidades divulgaram na sequência mais uma nota de solidariedade ao professor.

O Centro Acadêmico de História também lançou nota. Os documentos podem ser lidos a seguir. Também foi feito vídeo mostrando que em nenhum momento Marcus incita a violência, como acusado pelo blogueiro. A questão vem sendo acompanhada pela Apruma, que está à disposição do professor nesta empreitada para que a verdade dos fatos seja respeitada.

MOÇÃO DE APOIO AO PROFESSOR MARCUS BACCEGA

Nós, professores, estudantes, técnicos, movimentos sociais, repudiamos o ataque que o professor Marcus Baccega, do departamento de história da Universidade Federal do Maranhão tem sofrido por parte de uma juventude que se autodeclara conservadora e tem como mascote o carcará. Carcará é uma ave de rapina, nada mais apropriado para os tempos que estamos vivendo. “Pega, mata e come”, como imortalizou João do Vale. Essa “juventude” organizou um debate, no hall do CCH, com o título “Fascismo de Verdade, e Fascismo para os idiotas”. Um grupo de alunos, contrários a essa prática de incentivo a violência se manifestaram —— com um sonoro #EleNão. A reação foi a que estão acostumados e mostraram que o “fascismo para idiotas, e o fascismo de verdade” que estão apregoando a todos os cantos com morte aos negros, aos homossexuais, aos “nordestinos, pobres”, se encarnou. E atacam, de forma irresponsável o Professor Marcus Baccega.

A Universidade, o Centro de Ciências Humanas – que ironia- não pode permitir a manifestação e campanha dentro de suas dependências para um candidato fascista, antinacionalista (estavam com bandeira dos EUA).

Marcus Baccega agora representa todos nós! 

Não passarão”, FASCISTAS, RACISTAS, MACHISTAS, NÃO PASSARÃO.

Grupo de Estudos de Hegemonia e Lutas na América Latina- GEHLAL. (UFMA)

Grupo de Estudos e Pesquisa de Ontologia do Pensamento Social- GEPOPS (UFMA)

Grupo de Ensino Pesquisa e Extensão em Epistemologia e Educação – GEPEE (UFMA)

Núcleo de Estudos e Pesquisas, Mulheres,  Relações de Gênero e Cidadania- NIEPEM.

Grupo de Estudos de Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA)- UFMA

Grupo de Estudos de Politica, Ideologia e Lutas Sociais (GEPOLIS-UFMA)

APRUMA-Seção Sindical do ANDES-SN.

Grupo de Estudos e Pesquisas Educação, Classes e Conflitos Sociais (GEPECSO) – UNIFESP

Programa de Incubação Social-PROSOL- Universidade Estadual de Goiás

União Estadual dos Estudantes Livre – Maranhão

DCE- UFMA

PET-DIREITO- UFMA

Núcleo de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais- NEILS- PUC/SP

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Questão Agrária- NERA-UFMA

Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (NAJUP) Negro Cosme

Grupo de Estudo de Desenvolvimento , Política Trabalho .- GEDEPET-UEMA

GPIC -G ,Grupo de Pesquisa em Identidades Culturais- UFMA

PET- Biblioteconomia- UFMA

CA Geografia- CAGEO- UFMA

Laboratório de Estudos de hegemonia e Contra-hegemonia- LEHC- UFRJ

Observatório de Políticas Públicas e Lutas Sociais -OPPLS-UFMA

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CAHIS – Nota

O Centro Acadêmico de História (CAHIS)/ Lagoa Amarela, Gestão – Adelina, a Charuteira –  da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), vem por meio de nota repudiar as agressões intolerantes e caluniosas remetidas ao prof. Dr. Marcus Vinicius de Abreu Baccega.

 No dia 25 (vinte e cinco) de outubro de 2018, às 10:00 horas, aconteceu no Centro de Ciências Humanas (CCH) da UFMA o evento intitulado de “FASCISMO DE VERDADE E FASCISMO PARA IDIOTAS” que tinha como palestrante José Lorêdo Filho sob organização do coletivo Carcarás – Juventude Conservadora da UFMA.  A priori, houve cancelamento do evento segundo informações, pois o tema foi considerado inadequado a uma chamada pacífica para o ambiente. Entendemos que o CCH é um dos espaços mais expressivos e de demonstração de atos traduzidos à pluralidade humana e criativa, ou seja, espaço que deve ser de tolerância, de ideias expostas a tudo que se re(fere) a nossa sociedade. Dessa maneira, os discursos que foram propagados pelos organizadores do evento, estavam carregados de ideias invasivas e contrárias ao que o espaço, em sua essência, nos possibilita expressar.

    Profº Marcus Bacegga, Doutor em História Medieval pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Pesquisador na área de História Medieval, com ênfase no imaginário centro medieval, foca-se sua atual linha de pesquisa no mito arturiano alemão da Idade Média Central. Opera com os conceitos advindos da Escola dos Annales, sobretudo o imaginário e a mentalidade, além das noções de sistema social e semiologia medieval. Do ponto de vista teórico-metodológico, interessa-se pelo diálogo entre os pensamentos de Karl Marx e Max Weber, bem como seus desdobramentos em autores provenientes do campo marxista, com destaque para Antonio Gramsci. Sendo uma figura ilustre, o mesmo é um professor muito querido e requisitado entre discentes e docentes que permeiam os corredores do CCH.

     No contexto do evento realizado no CCH, Marcus Bacegga foi mais uma das vítimas de Fake News, pois as ideias propagadas sobre ele tiveram como repercussão desqualificar sua imagem com injúrias e apontamentos graves que ferem seus conceitos de moral e intelectual, por meio do blog de Diego Emir e a Juventude Conservadora Carcará da UFMA. A notícia seguiu com trechos e vídeos descontextualizados do acontecimento e afirmam que o professor incitou o ódio e que ele foi um dos motivos para que chegasse a tal tensão dos alunos, sob informações escandalizadas de agressões. Vídeos e testemunhas da fala do professor Marcus Baccega mostram e relatam que em nenhum momento houve palavras injuriosas ou que viessem a prejudicar o evento conservador, o que ocorreu foi uma argumentação que a Igreja na América latina optou por defender os pobres. Quem convive diariamente com o professor Marcus sabe da amabilidade, respeito e carinho com que ele trata a todos. Como ele admite o livre debate em suas maravilhosas aulas, aceitando os mais variados pontos de vistas, zelando sempre pelo compromisso do historiador em produzir ciência e argumentar logicamente. Marcus em sua história de vida sempre soube posicionar-se respeitosamente em debates, defendendo seus ideias, crenças e visões políticas escutando o outro, como democrata que é.

    Por meio deste, declaramos total apoio e solidariedade ao Profº Baccega, assim como os demais professores e alunos que ali estavam se fazendo presentes e lutando contra a propagação do fascismo. Historiadores cumprem seu papel social defendendo os valores democráticos que são essenciais para nossa profissão. O discurso único é o que o fascismo deseja e não nos renderemos às calúnias!

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