NOTA DE ESCLARECIMENTO E MOÇÃO DE APOIO AO PROFESSOR MARCUS BACCEGA

Nós, professores e estudantes presentes na manhã de vinte e cinco de outubro de 2018 no hall do CCH, no evento intitulado “Fascismo de verdade e fascismo para idiotas” viemos a público, juntamente com o coletivo da comunidade acadêmica que está na defesa permanente da democracia, manifestar nossa indignação e pedir justiça em relação às calúnias que estão sendo veiculadas pelo Grupo Carcarás – Juventude Conservadora da UFMA e através do blog Diego Emir, contra o professor Marcus Vinícius de Abreu Baccega – Doutor em História Medieval pela USP, Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFMA – e contra o corpo docente e discente do Centro de Ciências Humanas presente, nas redes sociais.

Depois de uma fala de mais de quarenta minutos de um dos integrantes do grupo, a qual trazia questões como Hitler sendo “nacional-socialista” e o posicionamento da igreja permeada por um ambiente com símbolos da monarquia, dos templários, camisetas do Bolsonaro e máscaras do presidente dos Estados Unido,s foi realizado por estudantes e professores do centro o ato performativo “Cálice”. Descendo as escadas do prédio, um grupo de estudantes e professores entoaram trechos da música “Afasta de mim esse cálice” e, em seguida, foi entoado um coro “ele não”. Quando houve um momento de pausa, os organizadores do evento abriram espaço para três perguntas. O professor Baccega, utilizando do momento aberto para as falas, pediu para se pronunciar. Disse que não tinha uma pergunta para fazer, mas uma consideração: “Primeiro uma saudação à brigada da liberdade [aplausos da comunidade acadêmica do ato performativo] …E, veja, não é uma pergunta, é uma observação, aliás é uma impregnação, eu falo em nome da ordem dos jesuítas, aqui. Católico é quem obedece juramento de Medellín de 78 e Puebla de 79, a igreja da América Latina fez uma opção preferencial pelos pobres!”. Nesse momento, é ovacionado pelos estudantes da UFMA que se posicionaram contra o fascismo.

O grupo Carcarás, após o ocorrido,  posta em suas redes sociais montagens de vídeos tendenciosos e pequenos textos deturpando o ocorrido, e, acusando estudantes, professores e  mais especificamente o professor  supracitado de os terem agredido verbal e fisicamente, sido interrompidos e expulsos do CCH. Queremos deixar claro que o ato performativo realizado por estudantes, professores e a fala do professor em questão foi uma manifestação contra o avanço do fascismo, contra os discursos racistas e homofóbicos que se travestem pela insígnia de “conservador”, contra os símbolos do autoritarismo do momento presente e de regimes totalitários históricos. A deturpação dos fatos é criminosa e se insere numa tentativa de silenciamento daqueles que lutam pela democracia e em defesa da universidade pública.

Assinam a Nota:

Departamento de Artes Cênicas

Departamento de Sociologia e Antropologia

Departamento de História

Centro Acadêmico Reynaldo Faray

APRUMA Seção Sindical

Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA)

Grupos de Estudos de Hegemonia e Lutas na América Latina (GEHLAL)

Grupo de Estudos e Pesquisa de Ontologia do Pensamento Social (GEPOPS)

Grupo de Estudos de Política, Lutas Sociais e Ideologias (GEPOLIS)

Grupo de Estudos e Pesquisa em Trabalho e Sociedade (GEPTS)

Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Epistemologia e Educação

Núcleo de Estudos e Pesquisas Mulheres, Relações de Gênero e Cidadania (NIEPEM)

Grupo de Estudos Rurais e Urbanos (GERUR)

NÚCLEO DE PESQUISA/ESTUDOS E ANÁLISE SOCIAL DO MOVIMENTO HUMANO – NEPAS