Nós, de diversas organizações de defensores de direitos humanos, estamos vindo a público para manifestar nosso profundo repúdio a mais este ato de criminalização de defensores humanos, materializado na prisão do companheiro, o agente pastoral padre José Amaro, pároco da paróquia Santa Luzia em Anapu, no Pará.

Diferente do que vem sendo dito pela mídia conservadora, padre Amaro não é um substituto de irmã Dorothy, ele e ela são dois seguidores de Jesus de Nazaré, que entenderam bem o seu batismo e, nesta condição, assumem não se calar diante das injustiças. Padre Amaro e irmã Dorothy, cada um tem seu lugar e seu trabalho. Ele não a subsistiu, mas sim respondeu a sua missão de cristão, de ser humano comprometido com a causa da justiça.

Padre Amaro vem servindo aos povos empobrecidos de Anapu como padre na sua missão de evangelizar. Evangelho vivo e atuante no meio daqueles filhos e filhas de Deus, sofridos e maltratados pela ganância do latifúndio.

Padre Amaro, como qualquer defensor dos direitos humanos neste país, está sujeito a sofrer investidas sanguinárias, sujas e cruéis deste sistema apodrecido, que para encobrir suas próprias sujeiras jogam o foco para a direção de outros, particularmente dos que ousam lutar pela liberdade da terra e dos filhos da terra. Quem não lembra de Marielle Franco, que depois de morta ainda foi brutalmente caluniada? E mais, até agora nada de resposta.

O problema da grilagem de terras é uma constante naquela região do Pará. Desde o ano 2015, quando do assassinato da irmã Dorothy, até os dias atuais já foram mortas 15 pessoas no município de Anapu, pela mesma razão.

Padre Amaro é uma das vozes que constantemente vem denunciando tais violências acontecendo em Anapu. Ele também vem denunciando o silêncio das autoridades e, inclusive, a atuação estranha de certos agentes públicos como a polícia em Anapu, sobre quem pesa muitas interrogações.

No último dia 09 de março, padre Amaro, em audiência pública sobre os conflitos por terra na região de Anapu realizada em Belém, mais uma vez denunciou a situação violência que acomete camponeses daquela região. Ele também pediu ação das autoridades no sentido de solucionar as causas desta violência. Em resposta, prendem o denunciante.

Estamos aqui para denunciar mais esta ação, imoral, cruel e injusta de Estado brasileiro, que por meios inescrupulosos, em conjunto com os manda chuvas, latifundiários e grileiros da região de Anapu, tenta calar a voz de quem se levanta para denunciar as injustiças praticadas contra camponeses, povos indígenas e todas comunidades de povos tradicionais neste país. E negros e pobres das cidades.

Abaixo a criminalização! Pelo fim do autoritarismo e da violência no campo e na cidade contra os empobrecidos.
Exigimos a revogação desta prisão, infame e de caráter puramente político contra nosso companheiro padre Amaro.

Acampamento Nossa Terra-CE

Apruma – Seção Sindical do Andes-SN/Maranhão

Ananda Marga – Belém

Articulação nacional de Agroecologia- -ANA

Conselho Indigenista Missionário – Maranhão

Centro Ecumênico de estudos Bíblicos – CEBI – Maranhão

Comunidades Eclesiais de Base – CEB´s- Maranhão

Comissão Pastoral da Terra-Maranhão

Centro Ecumênico de estudos Bíblicos – CEBI – PA

Central Sindical e Popular- CSP Conlutas

Centro Alternativo de Cultura Padre Freddy – CAC

Comitê Dorothy – Belém PA

Conselho Tutelar da Área Rural de São Luís

Consulta Popular-CE

Coletivo Nagô de Barra do Corda – MA

Comissão Pastoral da Terra-Marajó

Comitê em Defesa dos Territórios

Cáritas Brasileira Regional Maranhão

Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA

Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís do Maranhão

Conferencia dos Religiosos do Brasil – CRB Núcleo de Balsas-MA

Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão

Equipe JPIC das Irmãs de São José de Chambery

Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente GEDMMA/UFMA

Grupo de Estudos sobre Geografia, Territórios e Sociedades do IFMA Campus Pinheiro/MA

Grupo Musical Balanço do Coqueiro – Ceará

Grupo de Pesquisa e Articulação Campo, Terra e Território – NATERRA/UECE

Grupo de Pesquisa Resistências e Reexistências na Terra-UFPA

Grupo PoEMAS – Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade

Irmãs de Notre Dame de Namur

Irmãs De São José de Chambery

Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)

Instituto Terramar- Ce

Jornal Vias de Fato

Levante Popular da Juventude-Ceará

MAM Ceará – Movimento pela Soberania popular na Mineração

Mulheres Quilombolas Guerreiras da Resistência

Movimento Nacional de Pescadores MONAPE

Movimento Saúde dos Povos – Maranhão

Movimento Saúde dos Povos – Pará

Movimento Reocupa

Movimento Quilombola dos Maranhão – MOQUIBOM

Missionárias do Sagrado Coração de Jesus

Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MiQCB

Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra- MST/Maranhão

Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra- MST/Ceará

Movimento dos pescadores e pescadoras – MPP-MA

MAIS-PSOL

Movimento Mulheres em Luta

Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra- MST-PA

Movimento em Defesa da Ilha

Núcleo de Estudo e Pesquisa em Questão Agrária – NERA

Núcleo TRAMAS – Trabalho, Ambiente e Saúde – UFC

Ordem Franciscana Secular do Brasil Regional Nordeste I- São Luís-MA

Pastoral da Juventude-CE

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados-PSTU

Povo Tremembé de Raposa e Engenho

Povo Akroá Gamela/território Taquaritiua

Quilombo Raça e Classe

Rede Justiça nos Trilhos – JnT

Sindicato dos Técnicos Administrativos das instituições Federais de Ensino Superior do Pará – SINDTIFES-PA

Sindicato dos Bancários-MA

Sinasefe Seção Maracanã – MA

Sinasesfe Seção Monte Castelo – MA

SINDSALEM/MA

Sintrajufe/Maranhão

Secretariado da CNBB Regional Nordeste 5

Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

 

* O Padre Amaro foi preso na terça-feira, 27 de março, em plena Semana Santa. Desde então, além de prenderem seu corpo, procuram manchar sua reputação, não respeitando para isso nem a memória de Irmã Dorothy, assassinada por também defender camponeses em Anapu/PA. Desde então, movimentos sindicais, sociais e religiosos no Brasil e no mundo têm exigido sua libertação.#PadreAmaroLivre