Francisca Nascimento, coordenadora do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco (MIQCB), sofreu tentativa de homicídio no último final de semana no município de São João do Arraial, no Piauí. O MIQCB atua na defesa dos direitos das quebradeiras de coco babaçu nos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí.

A nota emitida pelas entidades que se solidarizaram com a liderança – entre as diversas signatárias de todo o país e do exterior está a Apruma Seção Sindical – denuncia a “violência contra uma mulher liderança na tentativa de paralisar a luta por território livre“. Os movimentos, comunidades e instituições exigem que “o Estado investigue e a Justiça tome as medidas para punir os envolvidos”.  “O Estado brasileiro precisa se comprometer com a segurança dos povos e comunidades tradicionais, apontam.

Adesões

A Nota segue recebendo adesões até este 8 de março, Dia de Luta das Mulheres, e esta deve ser mais uma bandeira durante o ato que se realiza em São Luís nessa data, com concentração a partir das 15h, no Centro, em frente ao Liceu Maranhense. Vale lembrar que quebradeiras de coco e quilombolas ocuparam o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão, ITERMA, exigindo regularização de suas terras e a retirada das cercas dos campos da Baixada.

Em várias partes do país, especialmente em áreas de conflito no campo, a jornada de luta das mulheres já começou: além do Maranhão, na Bahia áreas da Suzano foram ocupadas contra a concentração fundiária e a pulverização de veneno; em São Paulo, foi ocupada a Fazenda esmeralda, ligada a Michel Temer; em Alagoas, foram ocupados: Iteral (Instituto Estadual de Terras), Incra, e a Secretariara de Agricultura, além da terem realizado ato no prédio da Eletrobrás (a estatal está ameaçada de venda pelo governo de Michel Temer).

No último dia 22 de dezembro, mais uma mulher foi sentenciada. A Sem Terra Damiana Farias (46), moradora do acampamento Gildásio Sales Ribeiro, na Bahia, foi morta.No ano passado, não houve sequer um palmo de terra utilizado para fins de reforma agrária. Nesta quarta-feira, o governo federal fez saudação ao agronegócio nas redes sociais. Para seguir na luta por terra e trabalho, e contra a violência no campo, em especial contra as mulheres, o alerta dado agora com a ameaça à coordenadora do MIQCB não pode ser silenciado. Leia e compartilhe, a seguir, a nota na íntegra. Até amanhã, Dia 8 das Mulheres, mais movimentos tomarão partido nesta luta, assinando a nota e se posicionando firmemente, como disseram os movimentos: “O Grupo de Mulheres Guerreiras da Resistência do  MOQUIBOM assina também a nota de apoio e concorda, porque essa luta também é nossa. Essas intimidações não é apenas para as quebradeiras de coco mas para todos nós que lutamos pelo território livre”; “Nós, Povo Tremembé de Raposa e do Engenho, nos solidarizamos e apoiamos a luta do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB. Expressamos o nosso repúdio a ação perpetrada contra a vida de Francisca Nascimento. A cada dia que passa percebemos como aumenta a fragilidade com a vida de povos e comunidades que sofrem os impactos em seus territórios e seus modos de vida.  Contudo  e por tudo não se alienam e muito menos baixam suas cabeças e vão à luta por melhores dias, por justiça e por direitos”.

Segue a Nota:

Nós, abaixo assinadas, manifestamos nossa SOLIDARIEDADE à Coordenadora-Geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB, Francisca Nascimento, pela tentativa de homicídio que sofreu esse final de semana em São João do Arraial-PI. Foi mais um ato de violência contra uma mulher liderança na tentativa de paralisar a luta por território livre de um dos maiores movimentos de mulheres da América Latina, o movimento das quebradeiras de coco do Brasil.

Exigimos que as autoridades policiais investiguem e o sistema de justiça tome medidas para punição dos envolvidos. O Estado brasileiro precisa se comprometer com a segurança de povos e comunidades tradicionais. São povos e comunidades ameaçados de extermínio pelo avanço do agronegócio e pela história de violência contra todas as pessoas que se levantaram na luta e não se curvaram ao poder que sempre tentou nos silenciar.

Nosso apoio à quebradeira de coco babaçu, Francisca, representa nosso apoio a todas as mulheres que lutam contra opressões com coragem. Território Livre JÁ!

  1. Cáritas Brasileira – Regional MA
  2. CIMI Maranhão
  3. CSP CONLUTAS
  4. GEDMMA/UFMA
  5. Teia dos Povos e Comunidades  Tradicionais do MA
  6. NERA/UFMA
  7. Re(o)cupa
  8. Teia das Comunidades Ameaçadas da Ilha de São Luís
  9. SINASEFE Seção Monte Castelo
  10. Cáritas Brasileira – Regional Ceará
  11. Comissão Pastoral da Terra – CPT MA
  12. Grupo de Estudos sobre Geografia, Território e Sociedades, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFMA)
  13. Movimento pela Saúde dos Povos – MSP/Maranhão
  14. Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos – Carmen Bascaran
  15. PACS- Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
  16. Instituto Terramar
  17. INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
  18. Apruma – Seção Sindical do Andes/SN
  19. Jornal Vias de Fato
  20. Fórum Maranhense de Segurança Alimentar
  21. NEABI IFMA Campus Pinheiro
  22. Comissão Pastoral da Terra / Cerrado
  23. Grupo de Mulheres Guerreiras da Resistência do Moquibom
  24. Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA/MA
  25. Sintrajufe/MA
  26. Sinasefe Seção Maracanã
  27. Movimento Mulheres em Luta
  28. Quilombo Raça e Classe
  29. Quilombo Urbano
  30. Movimento de Defesa da Ilha
  31. NuRuNi/UFMA
  32. Povo Tremembé de Raposa/MA e do Engenho – São José de Ribamar/MA
  33. Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
  34. Povo Akroá Gamella
  35. ISA – Instituto Socioambiental
  36. AJR -Associação de Jovens Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues/MA
  37. AMTR-Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais
  38. COPPALJ- Cooperativa dos Pequenos e Pequenas Produtor@s Agroextrativista de Lago do Junco
  39. ASSEMA- Associação em Área de Assentamento no Estado do Maranhao;
  40. AVESOL- Associação Vencer Juntos em Economia Solidária
  41. Comissão de Direitos Humanos da OAB MA
  42. GT Mulheres da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro
  43. International Women’s Space Berlin
  44. AS-PTA Assessorias e Serviços a Projetos em Agricultura  Alternativa
  45. Verdejar Socioambiental
  46. Centro de Educação Multicultural Aliança pela Misericórdia
  47. Rede Carioca de Agricultura Urbana
  48. Recid Rede de Educação Cidadã (Bacabal/MA)
  49. STTR Esperantinópolis -MA
  50. Rede Justiça nos Trilhos JnT
  51. Cáritas Brasileira – Regional Piauí
  52. União Popular pelo Socialismo – Alagoas
  53. Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
  54. Comissão Pro Índio
  55. Escola Família Agrícola Cocais – EFA Cocais/PI
  56. Centro Cocais/PI
  57. Conselho Territorial dos Cocais/PI
  58. AsCocais/PI
  59. Obra Kolping/PI
  60. STTR de São João do Arraial/PI
  61. Comissão Pastoral da Terra – CPT/PI
  62. Banco dos Cocais/PI
  63. ACESA – Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura (Bacabal/MA)
  64. Resex de Tauá-Mirim
  65. Clube de Mães e dos Agricultores Familiares do Povoado Pindoba
  66. Casa da Mulher Trabalhadora – Camtra
  67. Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde – UFRPE/UAST
  68. STTR de Paço do Lumiar e Raposa/MA
  69. Fórum Maranhense de Mulheres assina
  70. Equipe de Justiça – Paz e Integração da Criação (JPIC) das Irmãs de São José de Chambery no Brasil
  71. Conferencia dos Religiosos (CRB) Núcleo de Balsas/MA
  72. Comissão Pastoral da Terra – CPT Araguaia e Tocantins
  73. Coletiva Feminista As Caboclas
  74. Juventude Feminista
  75. Associação de Moradores e Amigos do Bosque dos Caboclos
  76. Associação de Agricultores de Vargem Grande/MA (Agrovargem)
  77. Coletiva Hortelã
  78. Campanha em Defesa do Cerrado
  79. CAEL-Coletivo Andes em Luta
  80. Movimento Quilombola do Maranhão- MOQUIBOM
  81. CPT Marajó
  82. Terra de Direitos
  83. Justiça Global
  84. Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais da Bahia – AATR
  85. Associação de Apoio à Criança e Adolescente – AMENCAR
  86. Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular
  87. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
  88. Movimento Nacional de Direitos Humanos
  89. Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra/ES
  90. Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos – ABGLT
  91. Comitê Brasileira de  Defensoras e Defensores de Direitos Humanos
  92. Artigo 19!
  93. GEPOLIS/UFMA
  94. Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre Espaço Agrário e Campesinato (LEPEC/UFPE)
  95. Conselho Provincial das Irmãs de São José de Chambery do Brasil
  96. Fórum de Mulheres de Imperatriz
  97. Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo
  98. Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia – PNCSA
  99. Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – Abraço/MA
  100. Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil
  101. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
  102. Instituto de Direitos Humanos de Minas Gerais
  103. Wide – Women in Development Europe
  104. Brics Feminist Watch

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