Seminário Nacional discute questões quilombolas, indígenas, urbanas, agrárias e ambientais durante Semana da Consciência Negra

O Seminário Nacional do Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) do ANDES – Sindicato Nacional – tem início nesta quinta-feira, 23, às17h, no Auditório Setorial do CCH (Centro de Ciências Humanas, no Campus do Bacanga, UFMA, em São Luís). O evento acontece durante a Semana da Consciência Negra, e no cenário atual de lutas de vários povos indígenas no Maranhão.

O tema é “Desafios atuais das questões agrárias, urbanas, ambientais, indígenas e quilombolas“, trazendo a discussão dos ataques a direitos dos setores vulnerabilizados da população no cenário atual:

Levantamento da Agência Pública, em matéria publicada em seu site dia 19 de outubro, demonstra que indígenas, quilombolas e trabalhadores estão entre os que mais perderam direitos constitucionais no governo Temer; saúde, educação e meio ambiente estão entre os setores mais afetadosCONFIRA AQUI, na matéria O desmanche da Constituição.

Para debater e conhecer mais sobre essa realidade, o Seminário terá, além da fala de pesquisadores que se dedicam há anos sobre esses temas, a fala de representantes atingidos.

RESISTÊNCIAS

Mas, além de falar dos ataques, também será mostrado como a população tem, ao longo de décadas, resistido e feito o enfrentamento a essas questões, e também lutado pelo seu reconhecimento – como acontece agora com os Akroa Gamella, que após serem massacrados na luta por seu território durante o primeiro semestre, seguem na batalha: há dias ocupam, juntamente com indígenas Tremembé e Krenyê, a sede da Funai no Maranhão, em São Luís: o órgão ainda não atendeu a pauta de reivindicação referente à criação do Núcleo de Atenção aos direitos sociais Akroá-Gamella e Tremembé. Neste momento de urgência, para manter sua jornada, os indígenas que estão na Funai, localizada no bairro do Anil, em São Luís, precisam de apoio concreto:

Qualquer doação de alimentos se faz urgente,e pode ser entregue na sede da Ocupação, no Anil, próximo à Escola Divina Pastora, no mesmo prédio do Incra

Além da ocupação em São Luís, outra luta indígena também segue no Maranhão, com a ocupação da Unidade Regional de Educação (URE), representação da Secretaria de Estado da Educação em Barra do Corda/MA.

Lá, a mobilização já dura mais de três semanas, com a reivindicação de que seja respeitada a autodeterminação dos Krenyê e dos Kreepym Kateje antes do levantamento da escola prevista a ser construída para que sejam atendidos:

Os indígenas exigem respeito e que eles sejam escutados no processo, e que a Educação ofertada seja específica, levando em consideração suas culturas. Eles apontam que essa luta continua enquanto o Estado se mantiver intransigente quanto a essas questões.

SEMINÁRIO

São situações como essas que serão discutidas por pesquisadores e por indígenas, quilombolas, moradores das comunidades urbanas e camponesas esperados para o Seminário Nacional do GTPAUA. A mesa de abertura, no dia 23, terá como tema “Capitalismo e Natureza”, com a participação do professor Henri Acserald, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No dia seguinte, a programação segue, com Osmarino Amâncio, líder seringueiro do Acre; Tatiana Walter, do Programa de Pós-graduação em Gerenciamento Costeiro da Universidade Federal de Rio Grande; Inaldo Gamella; Cacique Nailton Pataxó; Helena Silvestre, do movimento Luta Popular, de São Paulo, e Fátima Barros, da Articulação Nacional Quilombola.

No sábado, os participantes serão recebidos pelas comunidades da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim, que desde o início deste século luta pelo seu reconhecimento por parte dos governos. A Resex abrange comunidades rurais de São Luís.

Haverá ônibus para deslocamento até a Casa das Águas, no Taim, comunidade integrante da Resex, saindo da Praia Grande, Centro Histórico de São Luís.

As inscrições ainda podem ser feitas no site da Apruma:

Para proceder a inscrição, clique AQUI.

Confira AQUI programação completa.