Mobilizações indígenas mostram resistência e também vulnerabilidade a que são submetidos

Gamellas ocupam sede da Funai em São Luís e quase sofrem ação de reintegração de posse pedida por outro órgão que não está ocupado (Incra); enquanto isso, Krepym e Krenyê lutam por educação pública e indígena na região de Barra do Corda: ações, ao mesmo tempo que mostram poder de resistência dos povos, demonstram a situação de vulnerabilidade a que estão submetidos pelas autoridades políticas; luta deve ser unificada com quem resiste aos ataques aos seus direitos, tanto no campo quanto na cidade, como aconteceu no último dia 10 de novembro na capital maranhense.

Os Gamella, que participaram das mobilizações do dia 10, seguem ocupando, desde o último dia 6, a sede da Funai, em São Luís, juntamente com indígenas Krenyê, Gavião e outros. Reivindicam políticas públicas e demarcação dos territórios. Como a Apruma divulgou, é necessário apoio material aos povos, que podem receber alimentos na ocupação. A Funai fica no bairro do Anil, no mesmo prédio do Incra, na Avenida Santos Dumont, por trás do Pronto Socorro do bairro.

A luta começa a apontar conquistas: foi anunciado nesta segunda-feira, 13, a publicação, para estes dias, da portaria que estabelece o início dos estudos para a demarcação do Território Gamella, na Baixada Maranhense. Esse avanço somente foi possível em razão da luta e persistência do Povo, que passou por episódios de massacre este ano mas não desistiu de lutar por seus direitos. Foi em razão dessa perseverança que os resultados começam a ser percebidos – essa tem sido a história de conquista de trabalhadores e povos atingidos: lutar por seus direitos.

URE Barra do Corda

Outro povo que também está em luta é o Krepym, que, juntamente com outros Krenyê ocupam a Unidade Regional de Educação do município de Barra do Corda, no Maranhão. A URE Barra do Corda é a representação da secretaria estadual da Educação naquela região, responsável por educação indígena, objeto da reivindicação dos povos originários.

Como os Gamella, eles necessitam de apoio em suas reivindicações por educação de qualidade, específica e diferenciada. E tal como os Gamella, somente devem conseguir arrancar essa conquista na luta, que deve ser reforçada pela sociedade. Outros povos já têm se somado na solidariedade aos Krepym e Krenyê, como os Canela e os Ka’apoor. Docentes, movimentos sociais e trabalhadores de outras categorias seguem acompanhando e também devem somar ao movimento, solidarizando-se com os povos indígenas.

Aliás, o fato de os direitos somente se concretizarem com luta demonstra a situação de vulnerabilidade a que estão expostas as populações tradicionais e originárias, além dos trabalhadores da cidade, o que aponta para uma unidade que deve ser intensificada, como se viu dia 10.

Seminário Nacional discutirá a questão em São Luís; Gamela comporá mesa

Essa unidade deve ser reforçada com o Seminário Nacional “desafios atuais das questões agrárias, urbanas, ambientais, indígenas e quilombolas”, que acontece de 23 a 25 de novembro em São Luís (veja detalhes no site).